# Uma Nova Biblioteca para a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra
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# Uma Nova Biblioteca para a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra
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ÁV
Álvaro Sisa Vieira
Arquiteto
AM
António Madureira
Arquiteto
PS
Paulo Sousa
Arquiteto
Pretende a Universidade de Coimbra (UC) instalar a Biblioteca da Faculdade de Direito em novas instalações compatíveis com a importância de tal Biblioteca, que se julga, pela quantidade e valor dos cerca dos 500 mil volumes de que dispõe, uma das mais importantes bibliotecas dedicadas ao Direito, senão do Mundo, pelo menos, e certamente, da Europa.
Consideram a UC e a sua Faculdade de Direito a necessidade e urgência de substituir as instalações actuais por outras, mais seguras, mais adequadas à utilização de mais estudiosos locais e estrangeiros; em suma, próprias do prestígio que já tem e, com certeza, que merece ser mais valorizado e divulgado.
Por outro lado, pretendem a UC e a sua Faculdade de Direito que a Biblioteca seja uma unidade, sem dúvida integrada na Faculdade, mas entendida como um corpo fisicamente autónomo, ao contrário do que se passa agora, em que a actual Biblioteca, magnífica que é, compartilha o espaço, as circulações e as funções com outras actividades como sejam o ensino, a investigação e a própria administração.
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**O PROGRAMA**\
O Programa apresentado pela Reitoria da UC define quatro áreas principais: estudo/consulta, apoio geral, administração/direcção e apoio técnico, caracterizando‑as quer no que diz respeito ao espaço, quer ao funcionamento, definindo, ainda, as relações entre as várias funções e diferentes espaços.
O seu organigrama distingue três grandes tipos de espaços interiores: um de acesso livre, um de acesso controlado e um outro exclusivo dos serviços.\
São apontados como espaços principais, no que diz respeito à dimensão e à importância representativa e funcional, o Átrio, a Grande Sala de Leitura, a Sala de Reuniões e o Depósito Activo de Livros e outras publicações.
Imagem: esboços do projecto para a nova biblioteca da FDUC, Álvaro Siza Vieira
Fotografia: localização da nova biblioteca da FDUC\
Fotografia: maquete do projecto da nova biblioteca da FDUC\
**A CARACTERIZAÇÃO DO TERRENO E AS CONDICIONANTES FÍSICAS**
O edifício da Nova Biblioteca da Faculdade de Direito implantar‑se‑á no terreno antes ocupado pela Faculdade de Farmácia. O terreno, rigidamente limitado por arruamentos ou muros existentes, tem uma forma alongada segundo a direcção nascente-poente, com as dimensões médias aproximadas de 110x30m, 3150m2, e uma importante variação altimétrica, entre as cotas 93.80 e 113.75.
A característica mais marcante do terreno é, no entanto, a sua inserção urbana, entalado que está entre dois edifícios de enorme importância simbólica e monumental, quais sejam a Sé Velha, a norte e à cota inferior, e a Reitoria da UC, a sul e à cota superior, além da Faculdade de Letras, edifício de grande presença, a nascente.
Do edificado que alojava a Faculdade de Farmácia, destacam-se uma construção em arcada — ao que tudo indica, uma cópia revivalista romântica construída em 1912, sobre as ruínas da Casa dos Melos, que define parcialmente o pátio por onde se faz o acesso principal, e um outro edifício primitivo, a Casa dos Contadores, que faz frente para o arruamento à cota mais baixa.
Existe, também, um conjunto de edificações recentes, de má construção e sem qualquer interesse arquitectónico, que se desenvolve no eixo nascente/poente, ocupando um espaço anteriormente de horta e jardim. Uma construção militar, porventura parte do perímetro de defesa da cidade, constitui um miradouro sobre a Sé Velha e remata o terreno a poente; nessa zona, existe uma árvore classificada. Toda a área urbana é Património Cultural da Humanidade, e está sujeita a legislação própria.
Fotografia: maquete do projecto da nova biblioteca da FDUC\
Imagem: localização da nova biblioteca da FDUC\
**A PROPOSTA**
A solução proposta procura responder às necessidades e exigências do Programa, onde além das grandes dimensões de alguns espaços, designadamente a Grande Sala e o Arquivo, importa a complexidade das ligações entre serviços e espaços e respectivas circulações, tendo como especial preocupação a integração do edifício na sua envolvente, questão de grande responsabilidade pela circunstância de se estar a operar num conjunto urbano de enorme valor patrimonial, dado o seu reconhecimento como Património da Humanidade. Tal implica que qualquer intervenção, seja de construção, seja de demolição, deverá procurar aumentar o valor patrimonial do conjunto, quer construindo — sem agredir e antes valorizar os edifícios pré‑existentes —, quer anulando outros, que por carácter arquitectónico desinteressante ou por ausência de valor histórico, podem ser retirados, sem perda do valor patrimonial do conjunto.
A consideração da cartografia e da iconografia disponíveis conduz à opção por uma proposta de edificação com uma presença mínima, recusando confronto de volume e de linguagem com as pré‑existências significativas. Assim, procurou‑se uma intervenção que não perturbasse o pano de fundo da Sé Velha e, simultaneamente, libertasse a vista da fachada norte do edifício da Reitoria.
As grandes dimensões dos espaços a construir implicaram, então, que se optasse por uma construção não em altura, mas, pelo contrário, em escavação. Aliás, dada a topografia do terreno, seria essa a forma de implantação mais lógica, já adoptada anteriormente quer na Casa dos Melos quer na Casa dos Contadores, que apresentam para a Rua do Norte fachadas de cércea elevada a que correspondem importantes escavações provocadas na encosta. Partindo dessas considerações fundamentais, a solução proposta, demolindo os edifícios sem interesse ou utilidade, recria o espaço livre da Horta, que é agora a cobertura ajardinada da Grande Sala de Leitura, de onde apenas sobressai o volume de um lanternim para iluminação natural.
Esse espaço estabelece ligações de nível com o arruamento a sul, o que, além de uma extensão do espaço de miradouro sobre a Sé e a Cidade, permite acesso livre de obstáculos a uma entrada no Piso 4 (e daí a todo o interior da Biblioteca) a utentes com limitações de mobilidade. O acesso principal faz‑se pelo Piso 3, cota do actual Páteo de entrada cujo redesenho contempla a conservação da arcada que, apesar de não ser original, tem interesse arquitectónico, dada a elegância das suas proporções.
Do Átrio Principal, espaço de acesso público e livre onde se situam serviços como bengaleiro, telefones, multibanco e instalações sanitárias, estabelece‑se ainda ligação, não controlada, ao Piso 4, onde se situa a entrada já referida e serviços como a Livraria e Reprografia. Além dessas ligações, todas as outras passam a ser controladas, quer sejam de acesso a utentes, quer sejam de acesso a funcionários ou visitantes.\
Ainda no Piso 3, localizam-se os serviços de Direcção e Administração, a Sala de Leitura de Periódicos com os respectivos serviços técnicos complementares, assim como as ligações verticais, por escadas e ascensores, ao Piso 4 (Sala de Reservados) e ao Piso 2. No Piso 2, existe um átrio de atendimento e consulta de catálogos a partir do qual se acede à Grande Sala de Leitura e à Sala de Trabalhos de Grupo. É também nesse átrio que se localiza o Gabinete do Bibliotecário. A Grande Sala de Leitura organiza‑se em dois pisos, com um varandim à cota do Piso 3, apenas com ligação interna.
Imagem: esboços do projecto para a nova
biblioteca da FDUC, Álvaro Siza Vieira\
Imagem: projecto 3D para o exterior da nova biblioteca da FDUC
A mesma organiza‑se em torno de um grande vão central que permite iluminar e relacionar os diferentes níveis da Sala.
No piso 1, não há zonas de acesso público, localizando‑se apenas os Depósitos e os serviços correspondentes, para os quais existe um acesso directo de serviço à Rua do Norte por onde se fará entrada de documentos e demais materiais.
No piso 0 localizam‑se os serviços de apoio e manutenção, as áreas destinadas a funcionários e casa das caldeiras; nesse piso existem também acessos directos à Rua do Norte para funcionários.
Importa também notar que a presente solução não aumenta as cérceas do edificado existente, recupera as características morfológicas e de acabamentos exteriores, rebocos, cantarias, caixilharias, cores e texturas, aliás conforme o citado «Regulamento Municipal de Edificação, Recuperação e Reconversão Urbanística da Área afecta à candidatura da Universidade de Coimbra a Património Mundial da Unesco, incluindo a Zona de Protecção».
As demolições que se propõem respeitam a corpos edificados sem interesse arquitectónico ou patrimonial, que foram de um modo geral intervenções posteriores, muitas vezes incompletas que respondiam, de forma discutível aliás, a necessidades de funcionamento com recurso a meios construtivos e arquitectónicos sem grande qualidade e sem quaisquer outras preocupações. A sua demolição valoriza assim o conjunto, quer do ponto de vista urbano quer do ponto de vista patrimonial e arquitectónico.
Este texto foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico, por vontade dos autores.
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