A Beleza do Saber
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A Beleza do Saber
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CA
Cristina Albuquerque
Vice-Reitora para o Ensino e a Atratividade, Universidade de Coimbra
O saber não é produto de acumulação de informações, de dados ou de referências genéricas e artificialmente combinadas. É, sobretudo, experiência com sentido, compreensão com plenitude e com abertura ao mundo, integrando‑o com todos os matizes que comporta e com o olhar que estimula a conhecer sempre mais e melhor.
Como pilar de desenvolvimento pessoal e social, o saber comporta uma dimensão cognitiva, que em muito ultrapassa o mero conhecimento técnico, e que se combina com dimensões éticas e estéticas associadas à humanização, ao respeito pelo outro e pela natureza, à capacidade de criar, à sensibilidade do que se encontra além do óbvio e à compreensão da integralidade, que reorganiza a relação com o mundo e favorece a autonomia crítica, a curiosidade, a memória, a auto-transformação e a inspiração.
A beleza do saber permite reinventar histórias pessoais e sociais, questionando determinismos e percursos (im)prováveis, e gerando uma maior e mais fundamentada consciencialização das contradições sociais, dos diferentes significados das narrativas sociopolíticas, da capacidade de emancipação e intervenção cívica, do poder e importância da ciência para um desenvolvimento mais consciente e cooperativo e para uma cidadania efetivamente compreendida e vivida. O saber é, e sempre será, o maior e mais importante diferenciador na transformação de destinos em histórias.
A beleza do saber funda, pois, a raiz mais profunda e mais significativa da universidade. Torna‑se, não só a origem e o sustento, mas também o ponto de chegada e o impulso para um novo ciclo de aprendizagens contínuas e de transições paradigmáticas no contexto científico.
Para que tal desígnio se consubstancie é, porém, necessário que a universidade mantenha o espanto sobre o mundo que muda e assuma que, com ele, mudam as características dos estudantes, as necessidades da sociedade e as condições operacionais para a afirmação e construção do conhecimento científico como âncora de progresso e de democracia, entendida não como dado adquirido, mas como construção permanente, exigente e consciente.\ A Universidade de Coimbra (UC) tem sabido, ao longo de mais de sete séculos, manter e renovar esta atenção cuidada e cuidadosa, sem perder o foco do bem maior: a exigência de um saber que se quer robusto e perene.
Assume, por isso, a reflexão sobre a sua própria missão e os desafios do ensino superior contemporâneo como parte integrante da sua identidade. Uma sabedoria institucional que se traduz na capacidade de interpretar contextos globais e imprevisíveis, dialogar com o mercado de trabalho sem abdicar da sua função crítica, e renovar, de forma sistemática e refletida, práticas de ensino e de organização académica.
Sob tais pressupostos, a área académica e de ensino tem vindo, na verdade, a estruturar o debate e um conjunto de iniciativas em torno da inovação pedagógica, com a criação do centro de inovação pedagógica INOV3P (financiado com investimento PRR Mais Digital), com o incremento da formação de professores através da recém-criada Academia de Formação de Professores e a promoção do primeiro curso na UC de preparação para a docência no ensino superior na área da Inteligência Artificial (IA) Generativa aplicada ao ensino e avaliação, e com a criação (em curso) de centros associados à IA, à computação quântica e à cibersegurança. Tudo isto com o objetivo de potenciar a inovação e a adequação das aprendizagens aos desafios das sociedades atuais, transformando o projeto educativo da UC, atualizando‑o e tornando‑o experiência de criação.
Do mesmo modo, a constituição recente de estruturas como o Centro de Bem‑Estar e o Ponto UC, integrados no Student Hub, centra‑se no pressuposto de que a atratividade e o sucesso educacional passam também por cuidar da qualidade de vida, da saúde mental e dos percursos de cada estudante. Estes espaços articulam acolhimento, orientação, literacia cívica e política, autocuidado e prescrição social, contribuindo para reduzir o abandono, reforçar a confiança e a autonomia dos estudantes, e o bem‑estar e coesão de toda a comunidade UC.\ A beleza do saber legitima assim modos plurais de conhecer, sustenta o desejo de continuar a aprender ao longo da vida e produz sujeitos capazes de conjugar rigor científico, sensibilidade estética e responsabilidade social.
Ao investir simultaneamente na excelência científica, na inovação pedagógica, na atratividade, na capacitação contínua e no bem‑estar estudantil, a UC renova a sua vocação de espaço onde é bom estudar, trabalhar, estar e ser, honrando a sua história e cultivando compromisso e sabedoria partilhada.
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- Editorial
- «Em Ciência Tudo É Belo»
- A Beleza da Comunidade
- A Beleza como Motor de Inovação
- A Beleza e a Ciência
- Entre Arquitetado, Sustentável e Qualitativo, Vai Perdurando Beleza
- A Beleza de Uma Universidade Aberta ao Mundo
- A Beleza do Saber
- Património da Universidade de Coimbra — Paço das Escolas
- A Beleza que a Universidade Decide Pôr em Movimento
- A Beleza que Inclui Estéticas da Diversidade no Ensino Superior
- Retrovisor
- Ribalta
- Ciência Refletida
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- Crónica
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- Criação Literária
- Lugar dos Livros